Wednesday, 31 August 2016

Na cidade sem mar

Acordou semi-nua.
Não estava sozinha, estava acompanhada. A companhia que fora presente à uns meses passados voltara, depois do que ela ache alguma insistência sua.

Dormiram juntos mas sem pregar olho.

Ela despertou cedo e saiu porta fora daquela casa desconhecida, no centro da cidade sem mar. Caminha pelo passeio na neblina de uma manhã cinzenta onde os pombos que odeia debicam no passeio e os carros do lixo recolhem os vestígios de bons momentos da noite passada.

Ela sabe que o pode fazer feliz, ele é simples e vive uma vida que ela conheceu mas que já passou. Ele não sabe que pode ser feliz com ela, mas fá-la feliz na simplicidade dos gestos.
Ele vai perde-la e vai lembrar-se dela um dia mais tarde. Ela no pensamento já não vai mais vê-lo, o coração acha que ainda há retorno, o corpo deseja-o.

O meu coração está habituado à solidão, quem dera que em vez de pombos fossem gaivotas - pensa. Atravessou a cidade para ir trabalhar.

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