Eles veem religiosamente à praia de mão dada.
Chegam com a chave que partilham desde sempre e com a toalha de praia que enxuga os dois com os salpicos da água do mar. Assim que chegam pousam-na até que precisem dela, nunca a estendem.
Ela é reservada e gosta de nadar, ele também gosta do mar mas dá um mergulho para depois vir dar conversa com quem está ali na entrada do mar a sentir a brisa, é mais social.
Não fica ali só para a conversa, fica ali a vê-la nadar de um lado para o outro paralela ao mar como deve ser - é protector.
O cabelo branco reflecte a luz do sol e assina-la quando ele se distrai e a perde de vista! Às vezes já não é fácil encontra-la sem os óculos, diz ele.
Já tivemos à conversa uma ou outra vez, a conversar da vida, do país, de como era a praia noutros tempos.
Ela sai e deixa-se secar ao vento, ficam de mão dada, de pé, a conversar, são cúmplices.
Esta imagem é digna de um retrato, em contra luz, no pôr-do-sol, o mar de bandeira verde.
A brisa do mar deve ter muitos segredos deles e o amor deles é forte como o oceano.
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