Wednesday, 31 August 2016

Tu és...

És um nome e uma pessoa!
Não tens rosto, ou forma, ou som, ou cor, não sei de onde és... és a soma de todos na singularidade que te é particular!
Talvez introvertido, que é o moderno do tímido ou do reservado! Tens algum talento, mas és simples, agradecido.

Gostas do meu silêncio, não preciso de te falar para me entenderes!
Vais ficando e eu vou deixar-te ficar, vou-me deixar ficar em ti e já não vamos a mais lado nenhum.

Seguras-me a mão quando durmo, falas até eu adormecer, enches-me o copo e escolhes o que vou comer...

A vida a dois é mais completa

Na cidade sem mar

Acordou semi-nua.
Não estava sozinha, estava acompanhada. A companhia que fora presente à uns meses passados voltara, depois do que ela ache alguma insistência sua.

Dormiram juntos mas sem pregar olho.

Ela despertou cedo e saiu porta fora daquela casa desconhecida, no centro da cidade sem mar. Caminha pelo passeio na neblina de uma manhã cinzenta onde os pombos que odeia debicam no passeio e os carros do lixo recolhem os vestígios de bons momentos da noite passada.

Ela sabe que o pode fazer feliz, ele é simples e vive uma vida que ela conheceu mas que já passou. Ele não sabe que pode ser feliz com ela, mas fá-la feliz na simplicidade dos gestos.
Ele vai perde-la e vai lembrar-se dela um dia mais tarde. Ela no pensamento já não vai mais vê-lo, o coração acha que ainda há retorno, o corpo deseja-o.

O meu coração está habituado à solidão, quem dera que em vez de pombos fossem gaivotas - pensa. Atravessou a cidade para ir trabalhar.

Saturday, 13 August 2016

É Bom Envelhecer na Praia

Eles veem religiosamente à praia de mão dada.
Chegam com a chave que partilham desde sempre e com a toalha de praia que enxuga os dois com os salpicos da água do mar. Assim que chegam pousam-na até que precisem dela, nunca a estendem.

Ela é reservada e gosta de nadar, ele também gosta do mar mas dá um mergulho para depois vir dar conversa com quem está ali na entrada do mar a sentir a brisa, é mais social.

Não fica ali só para a conversa, fica ali a vê-la nadar de um lado para o outro paralela ao mar como deve ser - é protector.
O cabelo branco reflecte a luz do sol e assina-la quando ele se distrai e a perde de vista! Às vezes já não é fácil encontra-la sem os óculos, diz ele.

Já tivemos à conversa uma ou outra vez, a conversar da vida, do país, de como era a praia noutros tempos.

Ela sai e deixa-se secar ao vento, ficam de mão dada, de pé, a conversar, são cúmplices.

Esta imagem é digna de um retrato, em contra luz, no pôr-do-sol, o mar de bandeira verde.

A brisa do mar deve ter muitos segredos deles e o amor deles é forte como o oceano.

Friday, 12 August 2016

Estória do Chapéu Branco

Dizem que chapéus há muitos mas esta é a história do chapéu branco de Verão.

O Chapéu Branco da Razão!

É a história de uma loira, não tem olho azul mas tem o mar a reflectir nos olhos, e uma amiga morena que está sempre de passagem mas sempre a encontra à beira-mar.

A vida das duas cruzou-se há tempos. Nunca passaram muito tempo juntas mas sempre fizeram valer os breves minutos que viveram.

Partilham estórias das suas existências, e têm um objectivo comum, se calhar dois...
Um parceiro para a vida e uma vida normal!

Ficam muito tempo em silêncio, na praia e durante o resto do tempo que não passam juntas. Não se chateiam com isso, sabem que vão ter sempre um chapéu branco que colocam na cabeça da outra quando querem falar e sabem que quem usa o chapéu branco tem sempre razão!